Un “Chris Marker” griego: Stefanos Tsivopoulos exibe na Bienal de Veneza

Leemos en O Estadao:

2_veneza_divHistory Zero é um tríptico produzido com muita sensibilidade por esse videomaker de 40 anos, nascido em Praga, filho de pai grego, mãe iraniana e educado na Holanda. Um artista, portanto, globalizado, enfrentando o desafio de tratar da crise europeia por meio de histórias individuais.

A primeira delas é a de uma colecionadora de arte que sofre de demência, decorrente do mal de Alzheimer. O seu modo pessoal de atribuir significado aos objetos é baseado principalmente no toque, assinala Stefanos Tsivopoulos, o que a leva a fazer origamis com notas de 100, retiradas do fundo da gaveta e das páginas dos inúmeros livros de arte espalhados por sua casa-museu. Entediada, vez ou outra ela atira as flores de papel num cesto de lixo.

Entra, então, o segundo personagem no segundo filme, um catador de metal que arrasta um carrinho de supermercado pelas ruas de Atenas. É um jovem imigrante africano, que sobrevive dos restos da civilização, cuja vida muda quando encontra essas flores de euros no lixo.

O terceiro personagem é um artista errando pelo centro de Atenas em busca de inspiração e que, à maneira de Duchamp, transforma o carrinho abandonado do africano numa obra de arte, um verdadeiro “objet trouvé”. A conclusão está no centro da instalação de Tsivopoulos: não é o fim da história, como queria Fukuyama, mas um ponto de partida, como defendia Hobsbawn, reforçando “um pensamento alternativo”, segundo o cineasta. Essa conclusão tem outro formato em seu filme-instalação, o de arquivo de textos e imagens sobre sistemas econômicos encontrados para enfrentar a crise econômica.

Curiosamente, Tsivopoulos cita, entre os experimentos com meios de pagamento alternativos (o celular pré-pago usado em partes da África, por exemplo), a “rupia zero”, inventada por ativistas da Índia para combater a corrupção no país emergente. Vale lembrar que o artista brasileiro Cildo Meireles, em plena ditadura militar brasileira, criou antes a nota de zero dólar, hoje transformada em obra de arte rara (e que vale realmente uma nota). Syrago Tsiara, curador do pavilhão grego, diz que História Zero, antes de tudo, “é um arquivo do futuro, que registra a descontinuidade, as rupturas e a complexidade do presente regime econômico”.

Fúria documental. Stefanos Tsivopoulos tem algo de Chris Marker em sua fúria documental e obsessão histórica, mas se aproxima formalmente de Theo Angelopoulos em sua lúcida e calma representação da crise contemporânea.

Toda a obra de Tsivopoulos é temperada pela história, mas seu filme na 55.ª Bienal, História Zero, difere do trabalho mais recente, O Futuro Começa Aqui (2012), uma instalação in situ numa fábrica de azeite de Elefsina, sul da Grécia, pois dispensa o discurso político e aborda o tema da mutabilidade do capital sem esquecer que o espectador, no final, tem a última palavra.

Os personagens de seu filme nunca se encontram. Eles só sobrevivem na memória de quem vê e é capaz de fazer essa interconexão. A história, como dizia Hobsbawn, torna perigosos aqueles que a esquecem. E o Partido Nazista, que cresce na Grécia, é uma prova disso, conclui Tsivopoulos.

 



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