Liberdade imediata para as Pussy Riot! (blog “Iskra”)

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por Thyago Villela

Masha em greve de fome

pussyriotapHoje, Maria Alekhina (Masha) completa o oitavo dia de greve de fome e é levada a um hospital nas dependências de sua colônia penal, na pequena cidade de Berezniki (nos Urais). Masha, uma das três integrantes do grupo de punk-rock feminista Pussy Riot, foi presa em fevereiro de 2012 com Nadesda Tolokonnikova e Yekaterina Samuzevich (as outras duas integrantes da banda). A ordem de prisão foi dada após a realização, pelo grupo, de uma performance na Catedral de Cristo Salvador (principal igreja de Moscou), na qual apelaram, ironicamente, para que a virgem Maria protegesse a Rússia de seu recém-empossado presidente, Vladimir Putin.

O apelo aos céus não foi ouvido e as três musicistas-ativistas foram condenadas a dois anos de cárcere por “vandalismo motivado por ódio religioso”. A sentença de Samuzevich foi suspensa alguns meses depois. Tolokonnikova, por outro lado, teve seu pedido de condicional negado mês passado, e o mesmo ocorreu com Masha, precisamente há uma semana (22 de maio).

O Ministério Público e os representantes da prisão de Berezniki alegaram que Masha “descumpriu conscientemente as regras de conduta carcerária” (como não arrumar a cama ou escrever cartas em horários impróprios) – daí a negação de sua condicional e a proibição de que Masha estivesse presente na audiência que decidiria sua libertação prévia (um direito constitucional elementar). Não bastasse esta tramakafkiana, os advogados de defesa da Pussy Riot foram indicados pelo Tribunal (e apontados como negligentes pelas três integrantes) após pressão para que Masha recusasse seu direito de defesa (o mesmo já havia ocorrido com Tolokonnikova).

Em resposta à tentativa de punição exemplar pelo regime de Putin, a ativista decretou greve de fome e foi hospitalizada. A cada minuto que corre, a vida de Masha definha frente ao espetáculo de horror da justiça burguesa.

Longe, entretanto, de constituir um fato isolado, a abominável condenação do grupo expressa um processo de escalada repressiva do governo Putin frente à conquista de uma base social conservadora.

Pútin e a Igreja ortodoxa

Conforme a precisa crítica realizada pelas Pussy Riot na Catedral de Cristo Salvador, a Igreja ortodoxa é peça fundamental para o projeto político da burguesia russa. Não à toa, Putin devolveu à instituição religiosa grande parte das terras que foram expropriadas da mesma na Revolução de 1917. Vladimir Mikhailovich Gundyayev, o patriarca da Igreja ortodoxa russa, agradeceu à benevolência do regime de Putin adjetivando seu período de governança de “milagre de Deus”. Milagres, entretanto, são para poucos, e Putin tratou de garantir (consciente desta lei divina), que seus milagres fossem distribuídos cirurgicamente.

A condenação das Pussy Riots foi parte, portanto, do projeto putinista de barrar a expressão de qualquer tipo de oposição ao regime (o que passa também por barrar qualquer manifestação contrária aos jugos da Igreja ortodoxa) e ganhar terreno entre os setores reacionários. Concomitantemente ao processo aberto de censura (artística e política) empreendido pelo governo no caso da “performance da Catedral”, o governo proibiu (em cem anos) as Paradas de Orgulho LGTB no país – que já eram massacradas pelos fortes grupos neonazistas russos.

O cenário repressivo aberto tende a se intensificar mediante um projeto de lei aprovado pelo Parlamento que prevê prisão para “ofensa a sentimentos religiosos” (o projeto ainda deve ser aprovado por Putin); bem como pelas manifestações xenófobas realizadas pela extrema-direita.

A disputa, por parte do regime, das camadas mais conservadoras, reacionárias e de veia nacionalista pode também ser incrementada diante da contradição que se abre entre União Europeia e Rússia pela querela acerca dos custos da divida em Chipre. O Rússia Unida (partido de Putin) e sua base aliada necessitam, no caso, de uma ampliação de sua base política – a qual vem perdendo exponencialmente espaço entre as camadas mais jovens e proletárias do país (cerca de 6% em um ano, segundo dados do Fundo de Opinião Pública russo) – para conseguir fazer frente à Merkel na disputa pelo (que resta do) mercado financeiro chipriota e pelo pagamento da dívida do país.

Ao cerceamento das liberdades democráticas e ao avanço repressivo do Estado, os setores oprimidos e explorados devem responder nas ruas:

-Por uma ampla campanha pela liberdade imediata de Maria Alekhina, Nadesda Tolokonnikova e demais presos políticos! Não à censura!

-Não à escalada repressiva de Putin e da Igreja ortodoxa! Por um Estado laico que garanta as liberdades democráticas elementares dos setores historicamente oprimidos!



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